Na tarde ensolarada de quarta-feira, a Fortaleza de Santa Cruz, localizada em Niterói, estava bem diferente. O local, conhecido por sua rica história, não tinha visitantes, mas sim um grupo de atores e uma equipe de filmagem. Eles estavam ali para gravar “Emmanuel”, o novo filme do diretor Wagner de Assis, conhecido pela trilogia “Nosso lar”.
O longa-metragem vai contar a história do mentor espiritual de Chico Xavier ao longo de dois mil anos, passando por momentos históricos como a Roma antiga, a Galileia de Jesus, até chegar à cidade mineira de Uberaba, onde Chico Xavier viveu. Naquele dia, a fortaleza representava a Itália do século I, trazendo a época de Cristo de volta à vida.
A escolha de Niterói como cenário se deu pela busca de locais históricos que pudessem ambientar a narrativa. A Fortaleza de Santa Cruz e o Forte São Luiz foram escolhidos por suas características arquitetônicas que evocam a Roma antiga. O diretor destacou a necessidade de ambientes que preservem a história: “Nós precisávamos de pontos históricos ao redor do Rio. A fortaleza, datada do século XVI, é um lugar muito interessante”, afirmou Assis.
Vale lembrar que a fortaleza já fez parte de outras produções do diretor, como “Kardec” e “Nosso lar”. A presença desses monumentos históricos é vista como uma vantagem, uma vez que as histórias que se passam em séculos passados não requerem muitos efeitos visuais para serem convincente.
Clara Rocha, diretora de arte do filme, enfatizou a importância de utilizar locais que tenham um valor histórico real: “Buscamos construções que são verdadeiras, que têm a história dentro de suas paredes, algo que não conseguimos reproduzir em um estúdio”. As características necessárias para a narrativa incluem a “materialidade”, como as texturas e os elementos de um ambiente antigo.
Entretanto, filmar em um patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também traz desafios. É proibido alterar qualquer parte da estrutura da fortaleza, o que requer soluções criativas da equipe. Clara comentou: “A maior dificuldade é adaptar o cenário sem poder mexer em nada. Precisamos usar montagens que se encaixem perfeitamente”.
O elenco é formado por vários atores renomados, como Edson Celulari e Juliana Paiva, que compartilham da experiência de atuar em um cenário histórico. Juliana, que tem parentes em Niterói, mencionou que a beleza do lugar fez com que ela se sentisse parte daquela época, tornando seu trabalho mais intenso e verdadeiro.
Rafael Infante, outro ator do filme, ressaltou que as emoções nas cenas são potencializadas pelo ambiente externo. Ele descreveu a energia do local como impressionante, algo que contribui para uma atuação mais autêntica.
Clara também sublinhou a importância de gravar em locais históricos não apenas para a narrativa, mas para valorizar e preservar a história: “Quando filmamos nesses ambientes, estamos dando visibilidade a eles e preservando uma parte da nossa história”.
Dessa forma, “Emmanuel” não é apenas uma obra cinematográfica, mas também uma oportunidade de promover a história e a cultura de Niterói, destacando a relevância de seus monumentos e a riqueza de seu passado.