“O Beijo da Mulher Aranha” é uma homenagem aos musicais clássicos de Hollywood
O novo filme “O Beijo da Mulher Aranha”, estrelado por Jennifer Lopez, é uma adaptação do famoso musical da Broadway de 1992. O diretor Bill Condon, conhecido por seus trabalhos em filmes como “Dreamgirls” e “A Bela e a Fera”, transformou a obra em uma tributo significativo à história dos musicais em Hollywood.
A trama se passa em uma prisão clandestina na Argentina, durante o período do regime militar que governou o país entre os anos 1970 e 1980. Os personagens principais, o ativista Valentin, interpretado por Diego Luna, e o vitrinista Molina, vivido por Tonatiuh, compartilham uma cela. Para escapar da brutalidade do cotidiano, eles conversam sobre a estrela de cinema Ingrid Luna, papel de Jennifer Lopez, e se refugiam nos mundos de fantasia dos filmes em que ela atua.
Essas cenas de fantasia são inspiradas nos grandes musicais de Hollywood da década de 1940 e 1950. Brian A. Kates, o editor do filme, afirma que muitos momentos remetem diretamente a produções de Gene Kelly. A câmera é utilizada de forma a permitir que os dançarinos se apresentem em toda a sua extensão, evitando cortes desnecessários durante as sequências de dança, o que confere um ritmo especial ao filme.
Kates menciona que o estilo de edição foi desenhado para emular a maneira como filmes clássicos eram produzidos, onde uma única câmera frequentemente capturava as performances. Ele e a equipe se esforçaram para manter a fidelidade à estética dos musicais antigos, utilizando cenários que parecem pintados à mão, assim como eram os estúdios na época.
Essa adaptação não só traz elementos visuais típicos dos clássicos, mas também explora o lado sóbrio da história. Kates destaca que a relação entre os dois personagens principais é um ponto central na narrativa. Embora a história original, escrita por Manuel Puig, tenha um tom mais transacional, o filme busca transmitir uma conexão mais profunda entre Valentin e Molina.
A abordagem do filme sobre o amor também é diferente. Kates e Condon exploram um amor que transcende a situação em que os personagens se encontram, oferecendo um retrato mais completo das emoções entre eles.
Embora Kates tenha assistido à versão de 1985, dirigida por Hector Babenco, ele quis evitar influências excessivas, já que as duas adaptações são bastante distintas. No entanto, o desempenho de Raul Julia no filme original foi uma importante referência para ele.
Além disso, o editor, que recebeu um Emmy por seu trabalho em “A Maravilhosa Sra. Maisel”, também falou sobre os desafios de edição que enfrentou ao trabalhar na série, onde o ritmo é uma característica marcante.
“O Beijo da Mulher Aranha” já está em exibição nos cinemas e promete encantar o público com suas danças e a profundidade emocional da história.
