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Filme mostra a Carolina Maria de Jesus pouco conhecida no Brasil

Em 1960, o Brasil conheceu a obra de Carolina Maria de Jesus, uma escritora nascida em 1914, na cidade de Sacramento, Minas Gerais. Aos 33 anos, Carolina se mudou para São Paulo, onde começou a viver na Favela do Canindé, às margens do Rio Tietê. Mãe solteira de três filhos, João José, José Carlos e Vera Eunice, ela sustentava a família como catadora de papel, enquanto escrevia sobre seu cotidiano em cadernos e papéis que encontrava no lixo.

Em 1958, o jornalista Audálio Dantas foi à Favela do Canindé para realizar uma reportagem e se deparou com os textos de Carolina. Ele decidiu publicá-los, e em 1959, uma matéria sobre a autora saiu na revista “O Cruzeiro”, levando seu trabalho a um público mais amplo.

O livro “Quarto de despejo” foi lançado em 1960 e rapidamente se tornou um sucesso, vendendo 30 mil cópias nos primeiros três dias. A obra foi traduzida para mais de 10 idiomas e distribuída em mais de 40 países. Apesar do tempo que passou, a história de Carolina Maria de Jesus continua sendo relevante, especialmente para muitas mulheres negras no país. O livro é uma leitura obrigatória em vestibulares, como o da Fuvest, e ganhará uma adaptação para o cinema em 2026, com a atriz Maria Gal no papel principal e Jeferson De na direção.

A família de Carolina acredita que o filme é significativo porque mostrará a complexidade de sua vida e talento. Além dos diários, Carolina escreveu poemas, peças de teatro e romances. Ela também lançou dois discos com suas músicas. Segundo sua neta, Lilian de Jesus, o filme retratará Carolina como uma mulher multifacetada, com experiências, sonhos e contradições, desafiando a maneira como foi vista por muito tempo como apenas uma estatística.

Jeferson De e Maria Gal já possuem uma conexão com a obra de Carolina. O diretor realizou um curta-metragem premiado em 2003, e a atriz interpretou Carolina no teatro em 2007. A ideia do longa-metragem surgiu dessa experiência. Maria Gal comentou sobre a importância de narrativas que apresentem pessoas negras em protagonismos que vão além da violência.

O filme será produzido por diversas empresas, incluindo Globo Filmes, e tem como foco as questões de fome e miséria que ainda afetam a população brasileira. Jeferson De destacou que a mensagem da autora mantém sua relevância, considerando a situação atual do país, onde a insegurança alimentar é um problema persistente.

Maria Gal mencionou que interpretar Carolina será um grande desafio. Para isso, passou por mudanças físicas significativas e trabalhou com especialistas na preparação do elenco. Além do filme, Maria também irá homenagear Carolina no carnaval de 2026, como a protagonista do enredo da escola Unidos da Tijuca.

A produção buscará mostrar Carolina de forma mais rica e colorida, utilizando trechos de seus diários para construir uma narrativa que explora seus afetos, desejos e consciência política, revelando uma mulher vaidosa e extraordinária, que questionava o poder e valorizava a sororidade.

Lilian de Jesus ressaltou que o filme servirá para lembrar o público de que Carolina Maria de Jesus é uma figura viva, cuja relevância persiste enquanto existir desigualdade, racismo e preconceito. Embora ainda não haja data de lançamento, a expectativa para “Carolina – Quarto de despejo” é alta, com o perfil oficial do filme nas redes sociais já contando com mais de 30 mil seguidores, o que pode indicar uma estreia promissora.

Sobre o autor: Equipe de Redação

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