Os Irmãos Lumière, Auguste e Louis, são fundamentais para o desenvolvimento do cinema como conhecemos hoje. Em 28 de dezembro de 1895, eles apresentaram suas inovações em um evento no Grand Café, em Paris. Com o uso do Cinematógrafo, que funcionava tanto como câmera quanto projetor, a dupla exibiu curtas-metragens diante de um público de cerca de 200 pessoas. Este foi o início do cinema como um espetáculo coletivo, permitindo que a audiência vivenciasse momentos do cotidiano de uma forma nova e emocionante.
Os filmes dos Lumière retratavam a vida diária com um olhar que capturava a naturalidade e a espontaneidade dos comportamentos humanos, apesar de muitas cenas serem encenadas. Essa nova forma de arte não apenas proporcionava entretenimento, mas também oferecia uma nova maneira de entender a sociedade, transformando momentos passageiros em memórias eternas.
Com a aproximação do 130º aniversário dessa inovação, um dos principais responsáveis pela preservação da história dos Lumière é Thierry Frémaux, diretor do Instituto Lumière, em Lyon. Frémaux é reconhecido por seu esforço em manter viva a memória dos irmãos. Ele é também o diretor artístico do Festival de Cannes e seu trabalho inclui a produção do documentário “Lumière! A Aventura Continua”. Este filme é uma sequência de “Lumière! A Aventura Começa”, lançado em 2016, que restaurou 114 filmes dos Lumière.
A nova obra inclui imagens restauradas de mais 120 filmes, totalizando mais de 2.000 curtas-metragens, embora curiosamente nenhum deles tenha sido feito no Brasil. Frémaux é conhecido por sua reflexão profunda sobre esses filmes. A narrativa do novo documentário combina informações sobre o cinema com uma abordagem poética sobre as imagens, criando um espaço para que o público se conecte emocionalmente.
“Lumière! A Aventura Continua” é mais do que um simples documentário; é uma verdadeira aula sobre a história do cinema, oferecendo uma rica experiência visual. Os espectadores são apresentados a fragmentos de filmes que ajudaram a moldar a linguagem cinematográfica moderna, influenciando cineastas ao longo de várias gerações. Um dos aspectos interessantes do documentário é a crítica de Frémaux a Georges Méliès, um contemporâneo que ele considera ter distorcido a naturalidade em favor do encantamento visual.
Os filmes da Société Lumière, embutidos no contexto da Belle Époque, incluem registros de espaços públicos, cenas de trabalho e eventos sociais, além de momentos de mobilidade, como veículos e pessoas em ação. Esses registros revelam uma simplicidade e ingenuidade que são características marcantes da época. Embora pareçam distantes, as cenas trazem uma sensação de familiaridade, permitindo ao público olhar para trás no tempo e compreender melhor o presente.
Assim, “Lumière! A Aventura Continua” torna-se uma viagem nostálgica, resgatando memórias afetivas de uma era que pode parecer distante, mas que, por meio da tela, é possível revisitar e entender. É uma oportunidade de se conectar com o legado deixado pelos Irmãos Lumière e apreciar a evolução do cinema ao longo dos anos.
