O filme brasileiro O Agente Secreto foi premiado em duas categorias no Globo de Ouro 2026, realizado no último domingo (11). A produção ganhou os prêmios de melhor ator em filme de drama, conquistado por Wagner Moura, e melhor filme em língua não inglesa. O filme havia sido indicado em três categorias, mas perdeu o prêmio de melhor filme dramático para Hamnet: A vida antes de Hamlet.
Essa é a primeira vez que o Brasil ganha dois prêmios na mesma edição do Globo de Ouro. Em 1999, o filme Central do Brasil também concorreu em duas categorias, mas venceu apenas a de melhor filme em língua não inglesa. Em 2025, Ainda Estou Aqui foi indicado em duas categorias e levou o prêmio de melhor atriz em drama.
O Agente Secreto é ambientado nos anos 1970 e narra a história de um professor universitário que retorna a Recife em busca de seu filho caçula, durante o fim da ditadura militar no país. O enredo aborda a temática da ditadura e liga essas questões a um contexto atual, onde se apela para a confiança no Judiciário, em meio a um clima que favorece o Supremo Tribunal Federal (STF). Essa ligação é particularmente relevante em um momento em que o STF está envolvido em julgamentos que têm gerado controvérsias sobre a defesa dos direitos democráticos.
Wagner Moura, ao promover o filme, aponta que ele trata de um “problema de memória” no Brasil e relaciona o bolsonarismo à lei de anistia do final do regime militar. Ele afirma que “Bolsonaro nunca teria sido possível sem essa lei”. O ator e o diretor Kleber Mendonça Filho têm feito declarações que ressaltam essa conexão entre passado e presente.
Outro ponto de destaque nas falas de Moura é a rápida ação do Estado em prender pessoas e retirar direitos políticos, algo que ele considera um avanço. Ele menciona que foi “fascinante o quanto o Brasil foi rápido em enviar pessoas para a cadeia”, referindo-se à prisão de Bolsonaro.
Moura enfatiza que filmes como O Agente Secreto desempenham um papel importante na defesa do regime, sugerindo que os problemas no país deveriam ser solucionados pelo Judiciário e pela “memória cultural”, e não através de mobilizações populares. Ele diz que figuras como Bolsonaro são passageiras na história, enquanto artistas consagrados, como Caetano Veloso, permanecem em destaque.
A conquista de prêmios internacionais pode ser vista como uma promoção de uma narrativa que reforça a confiança nas instituições, mesmo em um contexto onde algumas ações do STF têm sido interpretadas como ameaças aos direitos democráticos do povo.
