domingo, 04 de janeiro de 2026
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Filme tailandês de baixo orçamento é o mais visto na Netflix Brasil

Equipe de Redação
Equipe de Redação EM 7 DE DEZEMBRO DE 2025, ÀS 01:11
Filme tailandês de baixo orçamento é o mais visto na Netflix Brasil
Filme tailandês de baixo orçamento é o mais visto na Netflix Brasil

William Bang, interpretado por Jack Kesy, é um matador habilidoso que trabalha para uma gangue em uma cidade sem nome, retratada na Tailândia e representando qualquer metrópole marcada pelo crime. Em um momento crítico, ele sobrevive a uma tentativa de assassinato e decide trair seu grupo, buscando abandonar uma vida repleta de violência.

Dirigido por Wych Kaosayananda, conhecido por seu trabalho anterior em “One Night in Bangkok”, o filme apresenta uma narrativa que se assemelha a uma rota de fuga. Após a tentativa de assassinato, cada passo de Bang o leva em direção a um futuro mais pacífico, mesmo enquanto ele é puxado de volta ao seu passado sombrio. O roteiro, escrito por Peter M. Lenkov e Ken Solarz, segue a abordagem clássica do gênero, focando na busca de redenção de um assassino rodeado por inimigos e sua própria culpa.

Logo no início, o filme mostra com precisão a rotina de Bang: entrar, matar e sair. Contudo, após a emboscada que quase resulta em sua morte, ele percebe que seu tempo como instrumento descartável chegou ao fim. A partir desse ponto, a trama se transforma em uma busca constante pela sobrevivência. Bang tenta negociar sua saída, mas, como é comum no submundo, ninguém simplesmente se retira. Seu chefe, interpretado por Peter Weller, vê sua deserção como uma traição e inicia a caça a Bang.

Os aliados que surgem ao longo do caminho são temporários e respondem a interesses momentâneos, deixando claro que, em momentos decisivos, Bang está sozinho. O filme, com um orçamento modesto, apresenta muitas cenas em garagens, estacionamentos e interiores de veículos. A fotografia utiliza sombras e iluminação para criar uma atmosfera urbana opressiva, economizando nos cenários e reforçando a ideia de confinamento.

A jornada moral de Bang é clara: ele não é um ingênuo que caiu no crime por acaso, mas um profissional que, após anos de homicídios, questiona a linha que separa o homem do assassino. O filme explora essa dúvida em breves conversas sobre família e tentativas de imaginar outra vida. A atuação de Kesy é contida, sendo marcada por olhares baixos e pequenos momentos de hesitação.

Os antagonistas do filme, por sua vez, não têm grande desenvolvimento individual, o que parece intencional. Não há um vilão carismático ou uma grande conspiração; o foco está no sistema que perpetua a violência. Os capangas que perseguem Bang são intercambiáveis, enfatizando que, no crime organizado, cada pessoa é substituível, e escapar não é uma opção sem consequências.

Apesar de seu orçamento limitado, o filme entrega boas cenas de ação, incluindo tiroteios claros e perseguições em ruas estreitas. No entanto, em algumas sequências, a montagem rápida pode tirar a atenção do espectador, especialmente quando utiliza efeitos digitais pouco convincentes. Às vezes, uma simples troca de olhares pode ser mais impactante do que uma cena cheia de ação.

“Alvo da Máfia” ganhou destaque ao ser lançado nos cinemas, apresentando uma vida renovada após ser adquirido pela Netflix e incluído no catálogo brasileiro. Em pouco tempo, conquistou uma posição entre os filmes mais assistidos, competindo com produções de alta visibilidade.

O filme conecta-se com uma nostalgia por thrillers de ação dos anos 1990 e 2000, lembrando produções que eram lançadas diretas para o vídeo e frequentemente apresentavam protagonistas menos conhecidos. Sua trajetória, embora comum, destaca como um projeto menor pode penetrar em um mercado dominado por grandes produções.

Embora “Alvo da Máfia” não seja uma obra-prima, seu enredo familiar e as reviravoltas previsíveis oferecem um vislumbre interessante de como um filme de ação tailandês, falado em inglês e com um elenco menos famoso, pode se destacar em um ambiente saturado de superproduções. A busca de Bang por liberdade é uma metáfora do espaço que pequenos filmes podem encontrar no mercado cinematográfico atual.

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