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Hope: Terror e humor absurdo na Coreia em Cannes 2026

Hope: Terror e humor absurdo na Coreia em Cannes 2026

O filme sul-coreano “Hope”, dirigido por Na Hong-jin, foi um dos destaques da mostra competitiva do Festival de Cannes deste ano. A produção mistura suspense, terror, ficção científica, ação policial e humor, criando uma experiência caótica e bem-humorada que lembra obras de Bong Joon-ho, como “Memórias de um Assassino”, “Parasita” e “O Hospedeiro”, além da série “Round 6”.

A trama começa com a polícia sendo chamada para investigar um animal encontrado por caçadores na beira da estrada. Nos primeiros minutos, o espectador imagina a cena apenas pelas expressões dos personagens, principalmente do chefe de polícia Beom Seok (Hwang Jung-min). Em seguida, uma vaca é vista caída no meio da estrada, com marcas de uma mordida gigantesca e cortes profundos. Inicialmente, suspeita-se de um urso ou um tigre, mas ninguém consegue entender o que aconteceu.

A pequena cidade de Hope logo mergulha em um massacre. Placas voam, carros são arremessados e pessoas desaparecem. O filme acerta ao criar suspense sem revelar imediatamente o causador dos estragos. O policial Seok, um herói atrapalhado mas bem-intencionado, tenta descobrir o que está acontecendo, e o espectador o acompanha sem ver a verdadeira forma da ameaça. A construção mistura tensão com humor natural, arrancando risos sem quebrar o clima de caos.

Quando a criatura finalmente aparece, os efeitos visuais impressionam. Embora não atinjam o nível de “Avatar”, de James Cameron, as imagens geradas por computador entregam um monstro crível e ameaçador. O design da besta funciona principalmente nas cenas de perseguição, que são ágeis e bem coreografadas. O diretor Na Hong-jin prioriza o movimento, e o ritmo do filme quase não dá tempo de respirar.

O roteiro surpreende ao revelar que o ápice da história era apenas o começo. Nesse momento, entra a policial Sung Ae (Hoyeon), que muda a condução da trama. Em vez de força física, ela usa inteligência e estratégia para abalar as estruturas da criatura, sugerindo uma possibilidade real de derrotá-la.

Os personagens secundários também se destacam. Há figuras excêntricas, testemunhas estranhas e um personagem que parece uma mistura de Chuck Norris, John McClane e John Wick: exagerado, divertido e indestrutível. “Hope” abraça o absurdo sem medo, criando uma dinâmica entre o policial atrapalhado, a cadete franzina mas competente e esse “tanque humano” que nunca desiste.

Na Hong-jin demonstra como o cinema sul-coreano domina o gênero de horror com monstros. O cineasta brinca com as expectativas do público, muda o rumo da narrativa e mantém a sensação de descoberta até o final. A produção impressiona pelo tamanho, com cenas de destruição, perseguições a cavalo e confrontos na estrada que são grandiosos. O filme foi feito para ser vivido no cinema, em uma sessão barulhenta e coletiva.

Embora não tenha uma crítica social tão explícita quanto “Parasita”, o filme deixa observações sobre quem são as primeiras vítimas do caos e como uma pequena comunidade reage ao horror. Acima de tudo, “Hope” busca o entretenimento, com depoimentos ridículos e comportamentos bobos dos personagens. Quando o mistério começa a ser solucionado, mais camadas são adicionadas à história.

O final deixa espaço para uma continuação, mostrando que o cinema sul-coreano pode estar começando a trabalhar com franquias sem perder a identidade criativa. Os personagens feitos com captura de movimento escondem nomes de estrelas europeias, como Alicia Vikander e Michael Fassbender. “Hope” é um filme explosivo, engraçado e violento, que mistura metáforas sobre imigração, humor absurdo e caos desenfreado.

Sobre o autor: Equipe de Redação

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