O retorno de ‘Euphoria’ trouxe uma das subtramas mais comentadas da temporada: a decisão da personagem Cassie, vivida por Sydney Sweeney, de criar uma conta no OnlyFans. A representação da plataforma na série de Sam Levinson gerou críticas de profissionais do setor.
Segundo a Variety, a trama mostra Cassie produzindo conteúdos extravagantes, incluindo ensaios com temática de “animal play”. Sydney Leathers, criadora de conteúdo na plataforma desde 2017, criticou a abordagem. “Há muita coisa absurda e caricata nisso tudo. Algumas situações mostradas sequer seriam permitidas no OnlyFans”, afirmou. Leathers destacou que a série ignora as diretrizes de segurança da empresa, citando conteúdos de “age play”, que são proibidos pelas regras oficiais.
A atriz e criadora Maitland Ward também se manifestou. Para ela, a escolha criativa reforça preconceitos. “No contexto atual, transformar uma personagem em um bebê para produzir conteúdo adulto foi extremamente problemático. Isso reforça o estereótipo de que profissionais do sexo não têm limites morais”, disse.
O criador da série, Sam Levinson, defendeu a escolha narrativa em entrevista ao The Hollywood Reporter. Ele afirmou que o objetivo era explorar o humor satírico. “O engraçado da situação é que a governanta da casa é quem está filmando tudo”, explicou, dizendo que buscava contrastar a fantasia de Cassie com sua realidade “deprimente”.
Embora a série tenha acertado em pontos como a tentativa de Cassie em viralizar em festas de influenciadores, o “sucesso instantâneo” mostrado na tela foi contestado. A criadora Alix Lynx afirmou que essa parte faz mais sentido. “Essa estratégia realmente existe. Mas a série faz parecer que basta ser bonita e fazer algo chocante para ganhar dinheiro instantaneamente, e não funciona assim”, disse.
Maitland Ward resumiu o sentimento da classe ao afirmar que a trama trata o setor como uma piada. “Isso mostra exatamente por que essa trama está sendo retratada dessa forma: ninguém está levando isso a sério”, disse. O debate reforça uma crítica recorrente à indústria cinematográfica, como pontuou Sydney Leathers: “Hollywood quase sempre retrata profissionais do sexo de maneira deprimente, exagerada ou ridícula.”
Criada por Sam Levinson, a série é baseada na produção israelense homônima de 2012. A trama é envolta em drogas, sexo, busca por identidade, traumas, redes sociais, amor e relacionamentos, contados pela ótica de Rue, uma garota de 17 anos viciada em drogas.
