Quase dez anos após seu último longa-metragem como diretor, “Neve Negra”, o cineasta argentino Martín Hodara volta às telonas com “A Caixa Azul”. O filme, que acaba de chegar ao Prime Video, aposta nas surpresas da troca de perspectiva como ponto principal de uma narrativa objetiva, com tensão e reviravoltas.
Rodado inteiramente no Canadá, a produção se passa na ficção em torno da região da Patagônia. A história leva o público ao encontro do trauma e da ambição, destacando a ambivalência moral de seus personagens. O roteiro tenta criar caminhos para que as surpresas futuras tenham forte impacto, mas a falta de contexto deixa algumas revelações no caminho do previsível.
Pablo (Gustavo Bassani) é um homem introspectivo, marcado por traumas do passado, que herdou a riqueza dos pais. Vive sozinho em uma enorme casa numa região afastada, sem muito contato com o mundo exterior. Certo dia, acessa um aplicativo de encontros e conhece Lara (Luisana Lopilato). Os dois se aproximam, mas prestes a oficializar uma relação, Pablo recebe um telefonema que muda o rumo da história.
O suspense psicológico proposto não se revela até que se entenda do que se trata a história. As revelações são mostradas de forma escancarada, junto às verdades de personalidades ambíguas que embarcam em um jogo contraditório. A narrativa busca um mergulho em estados psicológicos, explorando a psique humana de forma subjetiva, construída em torno de um modelo convencional.
Ao longo de seus 90 minutos, “A Caixa Azul” se limita ao tempo presente dos personagens para conduzir o público a uma trama que busca surpreender com uma troca brusca de perspectiva. A nota atribuída ao filme é 3.
A crítica foi escrita por Raphael Camacho, profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico, que atuou como programador de salas de cinema e trabalhou nas áreas de distribuição e marketing de filmes.
