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Damares ameaça deixar campanha de Flávio Bolsonaro

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ameaça desistir de colaborar com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. A parlamentar se irritou com o avanço de ataques de aliados do presidenciável contra ela e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais. A crise ocorre em meio a uma disputa interna no núcleo bolsonarista.

Como resposta, Damares já avisou que não comparecerá ao encontro de Flávio com lideranças femininas, marcado para esta quarta-feira (1) em Brasília. Segundo interlocutores, o próximo passo pode ser o recuo total na participação da campanha. A ex-ministra de Jair Bolsonaro havia sido sondada para ajudar na redação de programas de direitos humanos e assistência social.

O convite partiu da correligionária Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro e cotada para ser vice de Flávio. A ideia era um aceno ao eleitorado feminino, considerado o ponto fraco do pré-candidato. No entanto, os planos podem naufragar com o fogo amigo que se intensificou desde que Michelle divulgou um vídeo de 27 minutos com críticas ao enteado.

No vídeo, Michelle denunciou ataques de um “grupo do exterior” à sua vida pessoal e política, em referência a Eduardo Bolsonaro e outros aliados “autoexilados”. Damares saiu em defesa da ex-primeira-dama, mas evitou confirmar presença no evento, assim como a própria Michelle. A senadora foi cobrada publicamente por Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo, na rede social X.

Figueiredo ironizou a declaração de Damares de que estava “orando” para decidir se participaria da agenda. Damares rebateu e o convidou para visitar seu gabinete. O bolsonarista, que vive nos Estados Unidos, respondeu insinuando que a ex-ministra não abraçou a agenda contra o STF e aderiu à “militância feminista”. Oswaldo Eustáquio, outro crítico, chamou Damares de “feminista” e fez insinuações sobre sua vida conjugal, o que enfureceu a senadora.

A crise levou Michelle a renunciar à presidência do PL Mulher na terça-feira, após conversa com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Diante da saída, Damares divulgou nota afirmando que a decisão mostra que Michelle “tem uma causa, e não um projeto de poder”. No comunicado, a senadora disse que a aliada não está “jogando a toalha” e que as mulheres devem “ficar firmes” para os desafios da política.

Sobre o autor: Equipe de Redação

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