A cinebiografia “Michael”, sobre o Rei do Pop, já está em cartaz nos cinemas. O longa não aborda as polêmicas mais densas da carreira do astro, como as acusações de abuso sexual infantil que surgiram a partir de 1993.
De acordo com o site Deadline, os atores Colman Domingo e Nia Long, que interpretam os pais do cantor, explicaram a decisão narrativa. O objetivo foi manter o foco na ascensão artística de Michael Jackson, em vez dos escândalos judiciais posteriores.
“O filme se passa dos anos 60 até 1988, então ele não entra nas primeiras acusações”, disse Domingo. “Basicamente, focamos na construção de Michael. É um retrato íntimo de quem Michael é… pelos olhos dele. Então é isso que este filme é.”
O ator acrescentou que a obra prioriza a jornada criativa e pessoal do protagonista até o final da década de 80. “Este filme é sobre a formação de Michael, como ele foi criado e como tentou encontrar sua voz como artista e seguir carreira solo”, afirmou.
Perguntado sobre a possibilidade de abordar os anos finais de Jackson em uma futura produção, Domingo não descartou a ideia de uma continuação. “Existe a possibilidade de haver uma parte dois que talvez lide com outras coisas que aconteceram depois. Pode haver uma sequência. Ainda não sabemos”, disse.
Nia Long brincou com a perspectiva: “Se o preço estiver certo.”
Dirigido por Antoine Fuqua, o filme foi produzido em colaboração com o espólio de Michael Jackson. A trama retrata a trajetória do astro desde os 10 anos, como membro do Jackson 5, até o auge de sua carreira solo, por volta de 1988, durante a turnê do álbum “Bad”.
A produção enfrentou desafios na reta final. Originalmente, o roteiro pretendia avançar na linha do tempo para abordar as acusações de abuso infantil de 1993. No entanto, advogados do espólio identificaram que um acordo jurídico com um dos acusadores proibia qualquer representação ou menção direta dessa pessoa em obras cinematográficas.
Essa barreira legal forçou a equipe a desenvolver um novo terceiro ato. A mudança exigiu 22 dias de refilmagens e gerou um custo adicional estimado entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões.
O roteiro foi assinado pelo três vezes indicado ao Oscar John Logan, de “Gladiador” e “O Aviador”. A cinebiografia marca a estreia de Jaafar Jackson no cinema, interpretando seu tio. O elenco principal conta com Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller, Laura Harrier e Juliano Krue Valdi.
A produção executiva está sob comando do vencedor do Oscar Graham King, de “Bohemian Rhapsody”, em parceria com John Branca e John McClain, ligados ao espólio de Michael Jackson.
“Michael” está em cartaz nos cinemas brasileiros.
