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Fracasso de blockbusters afasta Hollywood de Cannes

Fracasso de blockbusters afasta Hollywood de Cannes

O icônico Festival de Cinema de Cannes teve início hoje, mas, apesar de seu prestígio histórico, o evento marca um ponto de ruptura na sua relação com a indústria norte-americana. Pela primeira vez desde 2017, nenhum filme de um grande estúdio de Hollywood fará sua estreia mundial na Riviera Francesa. A ausência dos blockbusters reflete uma mudança estratégica: o medo de que críticas negativas antecipadas destruam o desempenho comercial de produções milionárias.

Analistas apontam que a exposição precoce em festivais tornou-se uma faca de dois gumes. Tricia Tuttle, diretora da Berlinale, utiliza o caso de ‘Coringa: Delírio a Dois’ como um exemplo pedagógico dos riscos atuais. Após uma recepção negativa no Festival de Veneza, o longa arrecadou apenas US$ 200 milhões globalmente, um valor muito abaixo do necessário para cobrir seu orçamento de US$ 300 milhões.

O diretor artístico de Cannes, Thierry Frémaux, comentou a ausência dos grandes estúdios com pragmatismo: “O cinema americano estará presente [no festival deste ano], os estúdios nem tanto. Quando os estúdios estão menos presentes em Cannes, eles estão menos presentes, ponto final”.

Além do risco crítico, o fator financeiro pesa nas decisões. Em um cenário de retração econômica, gastar milhões de dólares com segurança, hospedagem e viagens para estrelas de primeira linha tornou-se um custo questionável. Um veterano publicitário de Hollywood resume o sentimento da indústria: “É absurdamente caro e, se você exibe o filme para milhares de jornalistas e ele não agrada, você começa da pior forma possível”.

O fracasso de ‘Indiana Jones e a Relíquia do Destino’ (2023) é frequentemente citado como o erro estratégico definitivo. As críticas mornas recebidas em Cannes contaminaram o marketing do filme meses antes de ele chegar ao grande público. A velocidade da informação digital também mudou as regras do jogo. Segundo Cameron Bailey, diretor do Festival de Toronto: “Críticas negativas saídas dos grandes festivais viralizam muito rápido”.

Atualmente, o consenso entre executivos é que estrear em festivais só é vantajoso quando o lançamento nos cinemas ocorre imediatamente após a exibição, como foi o caso de ‘Top Gun: Maverick’. Caso contrário, o intervalo de tempo permite que a “má fama” do filme se consolide na internet. Até mesmo a A24, antes presença constante, parece estar recuando. Após a recepção morna de ‘Eddington’ no ano passado, o estúdio optou por uma campanha mais controlada para ‘Marty Supreme’, estrelado por Timothée Chalamet, que ignorou o circuito de festivais e alcançou um sucesso de US$ 190 milhões.

Para amenizar a ausência das grandes produções hollywoodianas, Cannes programou uma sessão especial de meia-noite de ‘Velozes e Furiosos’, clássico que deu início à famosa franquia da Universal Pictures. Vin Diesel, Michelle Rodriguez e Jordana Brewster estarão presentes, além do produtor Neal H. Moritz e Meadow Walker, filha do falecido Paul Walker. Para muitos, esse distanciamento de Hollywood pode ser saudável para a identidade do evento. Segundo o produtor Mike Downey: “Se Cannes está se afastando um pouco de Hollywood, isso recoloca o foco no cinema mundial, e isso é algo positivo para esse lado da indústria”.

Sobre o autor: Equipe de Redação

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