O uso de inteligência artificial em filmes é um dos temas mais discutidos em festivais de cinema. Em Hollywood, já existem produções inteiras feitas com atores que não existem na vida real. Enquanto o debate sobre regulação continua, alguns cineastas usam a tecnologia como parte da narrativa. É o caso de ‘Futuro Futuro’, longa que mistura atores reais com inteligência artificial.
Na história, um homem misterioso acorda sem se lembrar de nada. Ele não reconhece o local, os objetos e nem o próprio nome. Passam a chamá-lo de K, interpretado por Zé Maria Pescador, do filme ‘O Clube dos Canibais’. Sem ter para onde ir, K é acolhido por um homem mais velho, de cerca de 60 anos, vivido por João Carlos Castanha. O homem mora na zona pobre da cidade e, de lá, os dois veem a região rica no horizonte. K começa a ter lembranças vagas de ter estado lá. Quando os dois iniciam um relacionamento amoroso e K começa a usar um dispositivo de inteligência artificial que vicia as pessoas, ele passa a acreditar que precisa ir para a zona rica e proibida para recuperar a vida que acha que tinha.
Com quase uma hora e meia de duração, ‘Futuro Futuro’ surpreendeu no Festival de Cinema de Brasília do ano passado. O filme ganhou os prêmios de Melhor Longa-Metragem pelo júri oficial, Melhor Roteiro, Montagem e uma Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador. Tudo isso em um dos festivais mais tradicionais do país, em um filme que trata de um dos maiores debates da indústria cinematográfica.
Definido como uma ficção científica sobre um futuro distópico, o longa usa a inteligência artificial de forma evidente e crua. As imagens têm definições primárias e movimentos bruscos, o que gera um contraste desconfortável para quem assiste. A história desperta interesse, mas a perambulação do protagonista, as repetições de simulações e lembranças, além do envolvimento amoroso repentino, deixam o espectador sem saber o objetivo da trama. O filme apresenta um esboço de tema político, mas não o desenvolve até o final.
‘Futuro Futuro’ estreia nos cinemas no dia 23. O longa gaúcho tem o mérito de usar imagens de condomínios de luxo em cores vibrantes, que ficam na memória. É um filme irregular, mas que pode mostrar novos caminhos para o audiovisual brasileiro, especialmente com orçamentos baixos e situações difíceis de contornar.
